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O QUE EU QUERIA SABER sobre ser panificador QUANDO COMECEI

8 de julho é dia do panificador e este ano, mais do que nunca, merecemos um imenso parabéns

Por Emerson Amaral, Presidente do Instituto de Desenvolvimento das Empresas de Alimentação (Ideal)

Eis que chega o nosso dia: Dia do Panificador! Todos os anos merecem comemorações, mas este ano é especial – parabéns! Sei que muitos estão dizendo que já passaram por situações das mais variadas na vida, mas a que estamos atualmente é muito diferente e intensa. Já estávamos nos acostumando que as mudanças no mercado eram inevitáveis e rápidas, mas não há preparo que resista à tamanha velocidade com que estas transformações têm acontecido. Mas vamos voltar um pouco no tempo: o que a gente gostaria de saber lá no início, quando o sonho de ser panificador começou?
Alguém poderia ter me dito que os processos de gestão vão muito além do sistema implantado (e me ensinado a ler os gráficos!). Poderiam ter me dito para investir mais em marketing de relacionamento e menos em propaganda pré-formatada. Que eu deveria cuidar para estar presente na vida dos meus funcionários tanto quanto eu estava preocupado com o vencimento do imposto no fim da semana. Que eu deveria, todos os dias, fazer o check list da área de vendas, mas jamais esquecer de olhar nos olhos do cliente. Poderiam ter me dado infinitos conselhos, mas aí eu não seria panificador! Porque o que me torna panificador é o caminho que eu percorri, com as dificuldades, erros e acertos.
Hoje, mais maduro, posso te afirmar que um dos fatores de sucesso do empresário de panificação é a versatilidade para se adaptar às necessidades do mercado. Gosto muito de reforçar essa importantíssima característica, pois nem todos os setores possuem essa flexibilidade. O empreendedor panaderil, sem desprezar os empresários dos demais setores, é um empresário de habilidades diferenciadas. Digo isso pois a panificação é um negócio híbrido em que se fundem processos de indústria e varejo em uma mesma empresa, com processos técnicos e humanos complexos.
Quando nasce uma padaria, nasce também um empresário capaz de ser maior do que ele mesmo imaginou. Diante dos desafios naturais do negócio, muitas vezes há uma certa dificuldade em enxergar a grandeza e as qualidades do setor do qual fazemos parte. Talvez você já tenha lido esses números, mas agora leia com pessoalidade, se inserindo dentro de cada cifra: fazemos parte do maior segmento (em número de empresas) dentro da indústria de alimentos no Brasil, segundo o Sebrae. Somos 84 mil empresas, de micronegócios a grandes indústrias, presentes em todos os municípios brasileiros, gerando mais de 850 mil empregos diretos e movimentando R$ 95,08 bilhões de faturamento em 2019, segundo a ABIP. Mas seu negócio é muito mais que uma estatística! Se pensarmos pelo âmbito social, a panificação desempenha papel fundamental no que tange à inserção profissional de jovens no mercado de trabalho, uma vez que a padaria é um dos principais contratantes de funcionários em primeiro emprego. No lado emocional, há a alegria em ver o cliente comprando e levando para casa produtos que ele vai compartilhar com a família.
Mas hoje, estamos mais uma vez reaprendendo o nosso milenar ofício e nos adequando aos novos hábitos de consumo de alimentos. A pandemia da COVID-19 nos mudou não só como pessoas, mas transformou profundamente nossos negócios. A perspectiva de enxergar o copo meio cheio e não meio vazio nos leva a pensar que mesmo em meio às adversidades há um ponto de evolução e crescimento. De forma sistêmica e processual, posso elencar alguns itens que talvez você ainda não tenha percebido em meio a essa situação:
• Há um aumento da produtividade da área de venda com maior número de produtos embalados no estilo “to go”, minimizando o número de colaboradores na área de atendimento;
• O mix de produtos de produção própria mais enxuto proporciona maior produtividade na área de produção;
• O serviço do delivery está ampliando a área de influência das padarias;
• A criação de várias modalidades de e-commerce amplia o canal de venda com os clientes;
• Há uma ampliação no foco em gerar maior proximidade com o cliente (formação de bancos de dados raramente trabalhados anteriormente);
• Vivemos uma veloz implantação/ampliação de canais de comunicação através das redes sociais e diversas outras mídias digitais;
• A introdução de novos produtos e serviços que foram necessários para a adaptação ao novo modelo de consumo hoje são sucesso de vendas.
Há quem diga que mar tranquilo não faz bom marinheiro, mas eu prefiro te dizer que vamos vencer, sejam as ondas tranquilas ou agitadas. E quando estiver um pouco difícil (todos nós passamos por momentos assim), lembre-se que padaria não é só um serviço, é uma forma de amor. Lembre-se de quantas vezes foi preciso fechar o caixa com as crianças brincando no escritório e pedindo sua atenção. Lembre-se de quantos fins de semana você dedicou a estar na loja, mesmo quando todos estavam em casa. Lembre-se com carinho do dia da inauguração da padaria e de todos os sentimentos positivos que você sentiu naquele momento. Traga à memória todas as conquistas que os rendimentos da padaria puderam proporcionar para sua família e a família de outras pessoas. Olhe para frente, cuide-se para gerir com saúde física e emocional seu negócio e perpetuar o dom do pão. Vamos em frente, panificadores!
Te desejo sonhos doces e bons suspiros, como os que comia quando criança na padaria da minha família. Um forte abraço e nos vemos na próxima edição!

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