> Carta ao Leitor

AS FLORES MORREM PRIMEIRO

o que nós aprenderemos com esta pandemia e levaremos para o resto de nossa vida depende de cada um de nós

Minha primeira experiência com o Pavilhão das Flores no Ceasa em São Paulo foi ainda nos anos 80, quando fui acompanhar meu primo, que tinha uma funerária em São Caetano do Sul, e ia todas as sextas-feiras comprar suas flores para os funerais. Saímos de madrugada e chegamos àquele espaço gigantesco ainda escuro. Meu primo andava feito louco naqueles corredores cheios de plantas e pessoas vendendo e comprando, e eu tentando não o perder de vista naquele mundo de gente e de flores.
Depois que me mudei para São Paulo, frequentar o Pavilhão de Flores do Ceasa passou a ser uma constante em minha vida. Sempre que eu podia, ia até lá e saía cheio de plantas e flores. Sempre chegava de madrugada, porque quando o dia amanhecia não dava nem para andar de tanta gente que tinha lá. Por isso foi um choque para mim ver a tristeza daquele pavilhão vazio na reportagem de TV em uma manhã qualquer logo após o início do isolamento em razão da pandemia de Covid-19. Sem ninguém para comprar suas flores, um produtor jogava seus girassóis no triturador de lixo. Outro esperava a vez para triturar suas rosas e lírios. “Quem vai comprar flores hoje em dia? Não tem mais casamentos, não tem mais festas, as pessoas nem saem de casa”, lamentou o homem para a repórter. Numa economia de guerra, as flores são as primeiras a morrer.
Mas por mais chocantes e tristes que possam ser imagens de flores sendo trucidadas, com o passar dos dias a situação vai encontrando seu caminho. Dias depois, a mesma repórter mostrava algumas floriculturas que fizeram um apelo nas redes sociais para que as pessoas fossem até lá e comprassem as flores a preço de custo, e sem precisar nem sair do carro para não correr riscos. Assim, centenas de pessoas compraram as flores e depois compartilharam as imagens de suas casas decoradas com os arranjos.
A vida vai seguindo seu rumo e cada segmento, depois do choque de realidade, vai encontrando seu caminho para sobreviver em meio à crise e sair melhor depois dela. As padarias fizeram o mesmo. Esta edição está cheia de exemplos e soluções. Encontre seus caminhos e não desista. Com certeza você verá que, passado este pesadelo, muitas dessas lições lhe serão úteis para toda sua vida. Resista! Siga em frente!

Pedro Eugênio Prado

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